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viernes, 4 de mayo de 2012

6757.- FERNANDO ASSIS PACHECO



FERNANDO ASSIS PACHECO
(1937-1995)

Fernando Santiago Mendes de Assis Pacheco nació en la ciudad de Coimbra, PORTUGAL en 1937,  aunque es de ascendencia  gallega. Licenciado en Filología Germánica por la Universidad de su ciudad natal. Periodista, coordinador del JL (Jornal de Letras, Artes e Ideas). Crítico literuario y uno de los intelectuales mas respetados de su país.

Obra poética: Cuidar dos Vivos (poesia), 1963 ; Câu Kiên: Um Resumo (poesia), 1972 (republicado em 1976 com o título Katalabanza, Kiolo e Volta); Memórias do Contencioso e Outros Poemas (poesia), 1980; A Musa Irregular (antologia poética), 1991 ; Respiração Assistida (poesia), 2003.




TEXTOS EN ESPAÑOL
Traducción de Xosé Lois García


Los años cuarenta

TE AMO MÁS cuando miro 
hacia el grifo del gás cuando estoy desnudo por la noche cuando
comienzo a agitar con pánico los huesos de la mano derecha

hay domingos hay la infancia que se paró en unas escaleras
altas
se oía la guerra se iba a la cama por causa del ciclón
y cuando el viento viene y corta y cuando

los árboles de la calle es la madre que recorta
unos papeles
blancos para pegar en los vidrios
o cuando (de capo) ese hombre
desnudo a la noche cuando mira
y veo se ve
el índice derecho
manchado de nicotina

después una vez desfila
ίla victoria!  los sorprende en la sala
que me dan dinero y corro a comprar arcilla
en la feria y cuando cosas así
luego partía y eso era la tristeza
vuelvo a pensar: ¿qué queria yo en la infancia?
¿el sol? ¿otro nombre sobre el mío tan frágil?

te amo más por la noche por lo tanto
cuando doblo los pantalones y empiezo
ese gesto útil cuando
golpea en unas piernas y se ve
de treinta y cinco años


¿Y había otoño?

Había lo que no esperas: árboles,
altos árboles de corazón amargo,
y el viento remolina y lleva
las hojas ciegas
por encima de la cabeza del hombre.
Había un muñón sangrando.

No moriremos nunca, decían.
El labio canta, la leña quema
junto al rastro.
Moriremos diez veces,
no moriremos nunca,
decían

Aquel lo trajo una tibia de Quitilene
el invierno después en silencio.
Había lo que no esperas: horas,
minutos como horas
para masticar lo asustado 
por las tinieblas del bosque.

Y las minas / los hornijos/
las rampas con trotil/
ah no voy a contarte un décimo
de este libertinaje.
Había súbitos ríos, cándidos
arbustos pendientes
que la cigarra despierta al medio día.
Moriremos diez veces, decían,
para nacer diez veces, decían,
no moriremos nunca.

Aquel que se llena de ino
tenía las palabras presas
en la boca por cabellos finísimos.
Adormecía girado hacia adentro,
ignorante y trémulo,
espantado por la caída
de grandes rocas en el oído.

Había lo que no espera: risas,
lágrimas como risas,
lágrimas
como hojas cieas
explotando levemente;
y la muerte —


Tonada en “A”

Veo en el espejo mi asustada fealdad.

Nada puedo contra dioses fabulosos.

Después del césped, después de la polvareda me asalta
la imagen tierna de este rostro en pedazos.

Oh largo viaje por el sendero de Zala – el náufrago
se agarra a una tabla, un olor
de playas en la distancia,

vence denodadamente los últimos metros.
Querría beber el agua que falta.

A los amigos: de tanta soledad
no sospechásteis nunca.

Ah derretir
ίde los hombros hacia arriba derretir
el esqueleto tenebroso!


Quería yo decir...

Quería yo decir que muchos
tiros oídos, muchos miedos,
que muchos fuegos encendidos
entran también en este saco.

Qué arrastro, me arrastro,
ínfimo caracol del bosque
quizás útil pero sólo en el día
en que en él tropeceis.

Escribo Zala, Nambuangongo,
y pienso: es un grito alto.
Quería decir que hay cosas
con las que no os enfadáis.



Poemas extraídos de HORA DE POESIA 27/28 Año 1983. “Antología de la actual poesia portuguesa”, volume cedido pelo poeta Aricy Curvello para a Biblioteca Nacional de Brasília, reprodução com a autorização do tradutor Xosé Lois García.




TEXTOS EM PORTUGUÊS  


Os anos quarenta

AMO-TE MAIS quando
para a torneira do gás quando estou nu à noite quando
e começo a mexer em pânico os ossos da mão direita

há domingos há a infância em que se parou numa escadas
altas
ouvia-sea guerra ia-separa a cama por causa do ciclone
e quando o vento vem e decepa e quando
as árvores da rua é a mão que reort
uns papéis
brancos para colar nos vidros
ou quando (da capo) esse homem
nu à noite quando olha
e vejo vê-se
o indicador direito
manchado de nicotina

depois uma vez desfila
a vitória! surpreende-os na sala
que me dão dinheiro e corro a comprar barros
na feira e quando quando coisas assim
partia logo e isso era tristeza
volto a pensar: que queria eu na infância
o sol? ouro nome sobre o meu tão frágil?
amo-te mais à noite portanto
quando dobro as calca e começo
quando esse gesto útil quando
bate numas pernas e vê-se
de trinta e cinco ano

       


         E havia outono?

Havia o que não esperas: árvores,
altas árvores de coração amargo,
e o vendo rodopia e leva
a folhas cegas
por sobre a cabeça do homem.
Havia um coto em sangue.

Não morreremos nunca, diziam.
O beiço canta, a lenha queima
junto à pista.
Não morreremos nunca, diziam.
para nascer dez vezes,
não morreremos nunca,
diziam.

Aquele que trouxe uma tíbia da Quitilene
envernizou-a depois em silêncio.
Havia o que não esperas: horas,
minutos como horas
para mastigar o assus-
tado pelas trevas da mata.

E as mina
os fornilhos
as armadilhas com trotil
ah não vou contar-te um décimo
desta libertinagem.
Há súbitos rios, cândidos
arbustos pendentes
que a cigarra desperta ao meio-dia.
Morreremos dez vezes, diziam,
para nascer dez vezes, diziam,
não morreremos nunca.

Aquele que se enche de vinho
tinha as palavras presas
na boca por cabelos finíssimos.
Adormecia voltado para dentro,
ignorante e trêmulo,
espantado da queda
de grandes rochas no ouvido.

Havia o que não esperas: risos,
lágrimas como risos,
lágrimas
como folhas cegas,
explodindo ao de leve;
e a morte —




Toada em “A”

Vejo no espelho a minha assustada fealdade.

Nada posso contra deuses fabulosos.

Depois do capim, depois da poeira assalta-me
a imagem terna deste rosto em pedaços.

Ó longa viagem pela picada de Zela — o náufrago
apega-se a uma tábua, um cheiro
de praias na distância,
vence denodadamente os últimos metros.
Quereria beber a água que falta.

Aos amigos< de tanta solidão
não suspeitastes nunca.

Ah derreter,
dos ombros para cima derreter
a ossatura tenebrosa!
             



Queria eu dizer...

Queria eu dizer que muitos
tiros ouvidos, muitos medos,
que muitos lumes acesos
entram também neste saco.

Que arrasto o quê, me arrasto,
ínfimo caracol da mata
talvez útil mas só no dia
em que nele tropeçardes.

Escrevo Zala, Nambuangongo,
e penso: é um grito alto.
Queria eu dizer que há coisas
com que vos não maçais.
             



Um vento leve, uma espuma      

Do beijo fica um sabor,
do sabor uma lembrança,
um vento leve, uma espuma.

Do beijo fica um sereno
olhar, o amor de coisas
minúsculas e humildes,
um pássaro que vai e vem
da nossa boca às palavras.
Do beijo fica, suprema,
a descoberta da morte.
Um vento leve, uma espuma
salgada, à flor dos lábios.





ACONSELHO-VOS O AMOR

Aconselho-vos o amor:
o equilíbrio dos contrários.
Aconselho-vos o amor
cheio de força; os moinhos
girando ao vento desbridado.
Aconselho-vos a liberdade
do amor (que logo passa
— vão dizer-vos que não —
para os gestos diários).



ACONSELHO-VOS A LUTA.


SEM QUE SOUBESSES

Falei de ti com as palavras mais limpas,
viajei, sem que soubesses, no teu interior.
Fiz-me degrau para pisares, mesa para comeres,
tropeçavas em mim e eu era uma sombra
ali posta para não reparares em mim.

Andei pelas praças anunciando o teu nome,
chamei-te barco, flor, incêndio, madrugada.
Em tudo o mais usei da parcimónia
a que me forçava aquele ardor exclusivo.

Hoje os versos são para entenderes.
Reparto contigo um óleo inesgotável
que trouxe escondido aceso na minha lâmpada
brilhando, sem que soubesses, por tudo o que fazias.





UM CAMPO BATIDO PELA BRISA

Há dias em que a tua nudez
é como um barco subitamente entrado pela barra.
Como um temporal. Ou como
certas palavras não inventadas,
certas posições na guitarra
que o tocador não conhecia.

A tua nudez inquieta-me. Abre o meu corpo
para um lado misterioso e frágil.
Distende o meu corpo. Depois encurta-o e tira-lhe
contorno, peso. Destrói o meu corpo.
A tua nudez é uma violência
suave, um campo batido pela brisa
no mês de Janeiro quando sobem as flores
pelo ventre da terra fecundada.

Eu desgraço-me, escrevo, faço coisas
com o vocabulário da tua nudez.
Tenho um «pensamento despido»;
maturação; altas combustões.
De mão dada contigo entro por mim dentro
como em outros tempos na piscina
os leprosos cheios de esperança.
E às vezes sucede que a tua nudez é um foguete
que lanço com mão tremente desastrada
para rebentar e encher a minha carne
de transparência.

Sete dias ao longo da semana
trinta dias enquanto dura um mês
eu ando corajoso e sem disfarce,
iluminado, certo, harmonioso.
E outras vezes sucede que estou: inquieto.
Frágil.
Violentado.

Para que eu me construa de novo
a tua nudez bascula-me os alicerces.





COM A TUA LETRA

Porque eu amo-te, quer dizer, eu estou atento
às coisas regulares e irregulares do mundo.
Ou também: eu envio o amor
sob a forma de muitos olhos e ouvidos
a explorar, a conhecer o mundo.

Porque eu amo-te, isto é, eu dou cabo
da escuridão do mundo.
Porque tudo se escreve com a tua letra.

A Musa Irregular, Asa, p.22, 24, 28, 30