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viernes, 4 de mayo de 2012

6758.- FIAMA HASSE PAIS BRANDÃO



FIAMA HASSE PAIS BRANDÃO (1938-2007, Lisboa, Portugal).
Poeta, dramaturga y narradora, estudió filosofía germánica y teatro en la Universidad de Lisboa.
Entre su producción poética destacan Morfismos (1961), Barcas Novas (1966), Novas Visiões do Passado (1975), Área Branca (1979), F de Fiama (1986), Três Rostos (1989), Cantos do Canto (1995), Epístolas e Memorandos (1996) y Cenas Vivas (2000). Su obra poética ha sido vertida y antologada en alemán, español, francés, inglés, italiano, servo-croata y sueco.
Ha sido reconocida con el Premio Revelación de Teatro de la Sociedad Portuguesa de Escritores en 1961; el Premio Casais Montero de Poesía en 1975; Gran Premio Inapa de Poesía y Premio de Poesía del Pen Club en 1986; el Premio D. Dinis de Poesía y el Gran Premio de Poesía de la Asociación Portuguesa de Escritores en 1996. Sus piezas teatrales Os Chapéus de Chuva, Peças em 1 Acto, Poe ou o Corvo, Quem move os Árvores y Teatro-Teatro entre otras, han sido representadas en Portugal, Brasil y Francia.
Ha traducido al portugués a Updike, Artaud, Novalais y Chejov.




Canto del Génesis

Al principio fue la luz, después el cielo
azul porque la luz se empapa
en las capas del aire que miramos.
Al principio fue la Pasión y engendró
de su sangre los animales, de su
Cruz las plantas. Fue, al principio,
el animal-vegetal minúsculo, oculto
en el Paraíso, pero omnipresente
desde el ante-principio. Y de la arcilla
o tierra adámica se formó la Naturaleza
y el Hombre, bañados por la luz
que perfiló las líneas y volúmenes vagos.
Al principio fue el martirio
y la bendición de aquel que trabaja
su cuerpo y su pan de sol a sol.
Y los frutos fulguraron en esa luz
cuando las aguas se apartaron
y el mar, hasta hoy, quiebra y requiebra la ola
para que yo oiga el sonido inicial.






¿Las grullas?

Los viajes nos separan del pasado.
Si tan sólo viajáramos como grullas,
sin reconocer los países bajo la quilla de nuestro esternón,
si no cambiáramos de países y de uñas
con los habitantes de las nuevas geografías,
seríamos nosotros. Porque el idioma
es cerrado e insondable en cada criatura,
porque cada país es la cuna de una lengua
y mis poemas en otra lengua no son míos.
Cuando viajamos en el mundo no sabemos quiénes fuimos.






Grafía 1

Agua significa ave
si

la sílaba es una piedra álgida
sobre el equilibrio de los ojos

si

las palabras son densas de sangre
y despojan objetos

si

el tamaño de este viento es un triángulo en el agua
el tamaño del ave es un río demorado

donde

las manos derrumban aristas
la palabra principia



Grafía 2

Está en el río
el embrión de la noche

El río libre
con apenas el principio evidente
de todas las formas

El agua íntima de los labios



Grafía 3

Tiempo
digitado hacia las direcciones del viento

La orgía de los gráficos nos prolonga
nuestros cabellos cronometrados

Oh virgen con pinos en los ojos
muerte

El ovario continuo donde escucho los objetos
y los transmito en los dedos

Sin margen delta boca
oh mujer circular permeable al viento

Virgen con pinos en los ojos
hembra con nervios y dunas iguales a explosiones

Invoco la madera el limbo el tiempo
y entre vientos construyo tu abdomen fijo



Grafía 1

Água significa ave
se
a sílaba é uma pedra álgida
sobre o equilíbrio dos olhos
se
as palavras são densas de sangue
e despem objectos
se
o tamanho deste vento é um triângulo na água
o tamanho da ave é um rio demorado
onde
as mãos derrubam arestas
a palavra principia



Grafía 2

Está no rio
o embrião da noite
O rio livre
com apenas o princípio evidente
de todas as formas
A água íntima dos lábios



Grafía 3

Tempo
digitado para as direcções do vento
A orgia dos gráficos nos prolonga
nossos cabelos cronometrados
Ó virgem com pinheiros nos olhos
morte
O ovário contínuo onde escuto os objectos
e os transmito nos dedos
Sem margem delta boca
ó mulher circular permeável ao vento
Virgem com pinheiros nos olhos
fêmea com nervos e dunas iguais a explosões
Invoco a madeira o limo o tempo
e entre ventos construo teu abdómen fixo





TEXTOS EM PORTUGUÊS  L


POEMA PARA A PADEIRA QUE ESTAVA A FAZER PÃO
ENQUANTO SE TRAVAVA A BATALHA DE ALJUBARROTA

Está sobre a mesa e repousa
o pão
como uma arma de amor
em repouso

As armas guardam no campo
todo o campo
Já os mortos não aguardam
e repousam

Dentro de casa ela aguarda
abrir o forno
Ela em mão que prepara
o amor

Pelos campos todos armas
não repousam
mais os mortos
ter amor

Sobre a mesa põe as mãos
pôs o pão
Fora de casa o rumor
sem repouso

Ela agora abre o fogo
para o pão
em repouso ela ouve os mortos
lá de fora

Lá de fora entram armas
os homens
As mãos dela não repousam
acolhem

Sobre a mesa pôs o pão
arma de paz
Contra as armas da batalha
arma de mão

Contra a batalha das armas
não repousa
Caem contra a mesa os mortos
contra o forno

Outra paz não defende ela
que a do pão
Defende a paz que é da casa
e das mãos





INÊS DE MANTO

Teceram-lhe o manto
para ser de morta
assim como o pranto
se tece na roca

Assim como o trono
e como o espaldar
foi igual o modo
de a chorar

Só a morte trouxe
todo o veludo
no corte da roupa
no cinto justo

Também com o choro
lhe deram um estrado
um firmal de ouro
o corpo exumado

O vestido dado
como a choravam
era de brocado
não era escarlata

Também de pranto
a vestiram toda
era como um manto
mais fino que roupa






DOMUS

Ouvirei os ruídos (dos) vivos, percurso de mortos, passadas
horas de afastamento e das visões nítidas;
a ciência dos náufragos, eterno retorno; a vaga
do início das águas, primeiros sentidos da terra
ou hespérida.  Hinos (era de ouro) ao sangue
que no atrito circula; à seta, em sua árvore
de arco; à espécie, o primeiro nado. Hóspede
de solo, humano, ergui o corpo; saúda
em Atlântida a ágora; saúda a urbe (onírica).
Onde penetram os membros, esse cortejo. Congregue
os animais; na praça a cúpula vibre. Seus dons exerça
em exílio — numa estação adversa ou oiço
em fontanários e harpas o mesmo
brado: o desejado sítio, ó espera.






A MINHA VIDA, A MAIS HERMÉTICA

Este amor literal, o pormenor dos lábios, a aproximação
da consciência é a situação mais nítida sobre a profundidade dos gritos.
Sobre a colina tradicional, sendo a tradição um único
momento, estou na mesma situação de Blake e na situação
de mim mesma quando ouvia o infinito no grito das crianças
e quando era evidente. Porém não terminava o crepúsculo, nem os jogos
se estavam a tornar obscuros, nem junto à casa aparecera
a fisionomia da imagem
de mãe. Nada se opõe, tudo difere, este sistema simbólico
inclui os gritos, com mais numerosas referências.

Tudo o que disse com literalidade deverá parecer,
agora, o aviso de que a minha vida é a mais hermética.