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domingo, 24 de junio de 2012

7229.- ANA PAULA INÁCIO





Ana Paula Inácio nació en Oporto, PORTUGAL en 1966.

Poesía:
- As Vinhas de Meu Pai (Quasi, 2000)
-  Vago Pressentimento Azul Por Cima (Ilhas, 2000)

Cuentos:
- Os Invisíveis (Quasi, 2002).

Está representada en las Antologías Anos 90 e Agora (Jorge Reis-Sá, Quasi, 2001) e Poetas Sem Qualidades (Manuel de Freitas, Averno, 2002).

Vive en las Azores, donde enseña filosofía.









Deja que el tiempo haga el resto
cerrar las ventanas
calmar los barcos
juntar provisiones
cosechar la fortuna
encender el fuego
esperar la cena

abre las puertas:
lee la luz
la sombra,
el arte del cazador de pájaros

con tres palos
haces una canoa,
con cuatro un verso
deja que el tiempo haga el resto.




deixa o tempo fazer o resto
fechar janelas
aplacar os barcos
recolher os víveres
semear a sorte
acender o fogo
esperar a ceia

abre as portas: lê a luz
a sombra, a arte do passarinheiro

com três paus
fazes uma canoa
com quatro tens um verso,
deixa o tempo fazer o resto.








como se o vento trouxesse

como se o vento trouxesse
recados
que pudesse abandonar
ao serviço do mensageiro

como se o vento te pudesse levar
e as palavras transformar
no milagre da cerejeira

não descuides o vento
que quem uiva
é lobo faminto

rodeia-te antes do essencial
faz-te cozinheira, semeia o teu quintal

o que por natureza rola
há-de rolar
e tu sozinha
o que podes contra o vento?

in Vago pressentimento, azul por cima

envio amelia pais





Ó CÉSAR

não sou uma mulher moderna
não me ligo à net
gosto de compras ao vivo
cujas listas faço em cadernos de argolas
que depois esqueço
e só me lembro de elixir para aclarar a voz,
tenho tantas embalagens
como Warhol de Tomato Soup
ou de detergente Brillo,
para que ao chegares a casa
te envolva, te abrace e te queira
mas nem só de voz vive o homem
dizes tu,
e então a minha saúda-te
como a daqueles que vão morrer







Diz B. Moser em ‘Clarice Lispector – Uma vida’
que a felicidade para CL era clandestina,
página em que parei a minha leitura e
me interroguei se havia de cortar o cabelo
com risca ao meio ou ao lado,
eu a quem só restava a literatura,
que durante uma vida inteira recusara,
como suprema ironia
como a fava do bolo,
nesta quadra
em que o teu rosto já não é uma paragem obrigatória;
nesta mentira em que me enfio
como a calça curta do dandy
ou a jaqueta do paletó do José Mauro de Vasconcelos,
os poetas sempre ficaram melhor no retrato
do que na vida.







Como um velho comerciante de carros falido
parecias saído de um filme de Tarantino.
Com as minhas plumas em forma de asas
e a maquilhagem de anjo doente
parecia saída de um filme de Wenders caído.
Relativamente às plumas, em forma de asas,
trazia os cálculos anotados
da distância a manter do Sol
e a imagem de Ícaro em chamas.
Mas naquele dia tudo correu mal.
O que poderíamos fazer de diferentes filmes saídos?
E choveu.
E o nevoeiro nem um cometa deixou ver.
A minha maquilhagem desfez-se,
confundiu-se com os veios das plumas
que se colaram à minha coluna vertebral
como um colete de forças.
E tu velho comerciante
já não me pudeste enganar
e vender um artefacto voador
por um coração ferido

[in 2010-2011, Averno, 2011]





QUERIA QUE ME ACOMPANHASSES

Queria que me acompanhasses
vida fora
como uma vela
que me descobrisse o mundo
mas situo-me no lado incerto
onde bate o vento
e só te posso ensinar
nomes de árvores
cujo fruto se colhe numa próxima estação
por onde os comboios estendem
silvos aflitos

( in: POETAS SEM QUALIDADES, Averno, nov. 2002)