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miércoles, 5 de junio de 2013

LUIS AMORIM DE SOUSA [10.049]


Luis Amorim de Sousa
Poeta, traductor
Luís Amorim de Sousa, poeta y escritor, nació en Angola en 1937. Después de una infancia en Lisboa vivió en Mozambique y, durante la mayor parte de su vida adulta, en Londres y Washington DC. Vive actualmente en Portugal. 

Bibliografia en Português

-Às Sete no Sa Tortuga, 2010  Assírio & Alvim 
-Colecção Alberto de Lacerda - Um Olhar, 2009  Assírio & Alvim 
-Bellini e Pablo Também, 2007  Assírio & Alvim 
-Londres e Companhia, 2005  Assírio & Alvim
-Ultramarino, 2005  INCM – Imprensa Nacional Casa da Moeda
-O Verbo Trafalgar, 2002  INCM – Imprensa Nacional Casa da Moeda
-O Pico da Micaia, 1997  Assírio & Alvim
-Crónica dos Dias Tesos, 1996  Assírio & Alvim



JANELAS VERDES (fragmento)

Para Alberto de Lacerda


Intacta bajo el sol de tantos hombres
Jorge Guillén

  
heme también delante de este muelle
hoy con decepcionante falta de actividad operario-marítima
en esta tórrida tarde de julio
en un sábado sin sol pese al calor

lo contemplo desde la cima de este jardín suspendido
urbanamente a la espera
de la hora de apertura del museo
y me pongo a pensar en los versos
y los muchos sueños que ha inspirado
viajes
            cartas
                        comercio
vidas en estado de planificación
y mi vida so far
hasta la fecha
                        tan lejos
pasado ya il mezzo del camin
continuamente a la espera de verme llegar un día
mi Lisboa demorada
mi isla
mi ciudad clara de bruces sobre el río
mi ciudad de otros
Ítaca
mi Londres

………………………………………..

¿cómo hacerte mía?
¿en qué lengua te invoco?
¿cómo reclamar tu mapa?
¿tu declive?
¿tu ayer?
¿dónde en concreto la sombra de mis pasos?
¿en qué latido de mi sangre siento
el bogar de remos en tu río?
¿cómo respirar tu verde?
¿dónde esta brisa leve?
¿de qué ciudad hablo?
¿dónde he estado?

(De Oceanografía, Imprensa Nacional, Lisboa, 1984)
Traducción: Luis María Marina






The Bunting Variations
                  
figos pingo-de-mel rainhas cláudias 
e uma cabaça de vinho tinto da venda 
pão de centeio também e uma mão cheia  
de azeitonas miúdas e alhos bravos 
é tudo quanto posso pôr na mesa 
se por aqui passares ó caminheiro
na lareira há caruma e pinhas secas 
que as minhas noites são frias e frugais

oiço lá fora o vento em seu vai-vém 
mas nenhum galho estala nos caminhos

que direcção tomaste ó caminheiro 
ó tu dos membros pesados?






baladas o meu mester

pelo meu escárnio 
um cangirão de vinho 
pelo melhor de mim 
irrequietas coxas entre lençóis lavados

palmilhei estradas sem conta 
e nem caudal de rio 
nem escarpa de barranco 
ensarilharam meus passos

de estação a estação 
decoro novas toadas

e de novo muralhas 
cúpulas altas terraços 
e a mancha verde-escura dos loureiros

por cada passo uma sílaba

sol ó meu mestre 
que recompensa a minha?






do alto da muralha da cidade 
olho o estendal 
deste nosso mercado

cabazes transbordantes de cerejas 
ameixas uvas romãs 
medidas rasas de pinhões pevides 
serapilheiras abertas sobre a areia 
aves em pânico 
                      atadas 
                                    por um cordel

mulheres acocoradas 
espevitam fogareiros

moedas empilhadas num tijolo 
garantem a demasia 
para a compra dum leitão

peças de linho 
a sombra dos eucaliptos

frituras polvilhadas de canela 
ramos de hortênsias e molhos de agriões 
salpicados com água dum alguidar de enguias

e bilhas 
                barros 
arquétipas figuras 
as cores da hortênsia 
                                     da ameixa 
                                                      da romã

sentado na muralha da cidade 
talho uma flauta de cana








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